Tradição desde 1968

Rainhas das Rosas e Flores

Uma tradição que floresce em Barbacena desde 1968

A História

Localizada na região do Campo das Vertentes, na Serra da Mantiqueira, a uma altitude de cerca de 1170 metros, Barbacena tem origem em um território histórico que remonta ao século XVIII, com a abertura dos caminhos que ligavam o litoral do Rio de Janeiro ao centro de Minas Gerais. A emancipação da Vila de Barbacena se deu em 1791, em plena Inconfidência Mineira. Atualmente é uma cidade-polo, abrangendo uma região composta por 33 municípios.

Ainda no século XIX, viajantes estrangeiros, como Saint-Hilaire e Richard Burton, dentre outros, já observavam os jardins bem cuidados e os pomares produzindo frutos típicos de climas temperados, vocação que evoluiu gradativamente para uma escala de produção cada vez maior. Em 1888, com a criação da Colônia Rodrigo Silva, um grande contingente de imigrantes, vindo especialmente da Itália, contribuiu ainda mais para que a vocação agrícola e manufatureira, especialmente a produção de seda natural, se consolidasse em Barbacena.

Nas primeiras décadas do século XX, chácaras que produziam flores como crisântemos e cravos abasteciam as floriculturas da capital federal, no Rio de Janeiro, e ampliavam a fama de Barbacena neste cultivo. Nas terras de Orlando Piergentili, atual Bairro Santa Teresa, produtores alemães e italianos intensificaram a produção de plantas ornamentais, dentre elas, as rosas.

Na segunda metade do século XX, Barbacena tornou-se referência nacional no segmento, exportando suas flores para Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Argentina e outros países das Américas e da Europa. Destacam-se empresas como Uniflor, Comflor, Brasil Flowers e a atual Associação Barbacenense de Produtores de Flores (Abarflores). A Uniflor, fundada em 1967, quando a cidade já contava com 97 produtores ativos — o maior número registrado até então —, exportou cerca de 52 milhões de botões de rosas na primeira década e empregou aproximadamente 5 mil pessoas, mesmo diante de desafios como clima, escassez de mão de obra especializada e custo elevado de terras.

Em parceria com a prefeitura, na gestão do prefeito Simão Tamm Bias Fortes, foi organizada, em outubro de 1968, a primeira Festa das Rosas de Barbacena, idealizada pelo então Departamento de Turismo, sob a gestão de Isar Bias Fortes. O evento visava promover a floricultura local, atrair investimentos e homenagear os floricultores.

A festa, que incluía a coroação da Rainha das Rosas — uma jovem representante da cidade —, ocorreu no Parque de Exposições "Senador Bias Fortes" e se tornou tradição até hoje. Embora registros informais relatem soberanas desde 1950, o reconhecimento oficial pela prefeitura só ocorreu em 1968. Desde então, o evento tem sido realizado anualmente, com inovações constantes. Em 2006, a Festa das Rosas foi tombada como patrimônio cultural imaterial do município pelo conselho municipal correspondente.

Em suas edições, o evento já chegou a receber mais de 100 mil pessoas por dia, atraindo visitantes do Brasil e do exterior. Cada rosa — com nome e formato únicos — representa a tradição local. As soberanas, eleitas por jurados em geral de fora da cidade para garantir imparcialidade, preservam a cultura e dão continuidade às tradições barbacenenses.

Na economia local, além do turismo e da cultura, a floricultura se consolidou como a segunda atividade mais lucrativa — logo após a produção de leite —, gerando renda e oportunidades de trabalho rural de alta intensidade de mão de obra.

Rainhas das Rosas e Flores

Confira as soberanas que representaram Barbacena ao longo dos anos